Porta-Granadas de 3 Bolsos da F.E.B. da 2a. Guerra Mundial
Item de produção nacional Para a Força Expedicionária, do Porta Granadas americano
R$295.00
O 3-Pocket Grenade Carrier (Porta-Granadas de 3 Bolsos) foi um item de equipamento de lona desenvolvido pelo Exército dos Estados Unidos no final da Segunda Guerra Mundial. Ele foi projetado especificamente para melhorar a capacidade do combatente de carregar granadas de fragmentação (como a famosa Mk 2 "Pineapple") ou granadas de fumaça.
Abaixo estão os detalhes sobre o seu desenvolvimento, uso histórico, Produção Brasileira para a Força Expedicionária Brasileira - FEB, especificações e fabricantes Americanos:
Desenvolvimento e Especificações Técnicas
Antes da introdução deste porta-granadas, as tropas americanas improvisavam muito para carregar granadas: usavam bolsos extras de cantis, bolsas de kits de marmita ou amarravam as granadas diretamente pelas alças (clips de segurança) em seus suspensórios e cintos, o que criava o risco de acidentes.
Desenvolvimento: O design surgiu no final de 1944 para padronizar o transporte seguro. A especificação oficial temporária do Quartermaster Corps foi emitida em 11 de janeiro de 1945 sob a nomenclatura J.Q.D. No. 528 - Carrier, Grenade, 3-Pocket (mais tarde padronizada sob a norma militar MIL-C-1574).
Capacidade: Projetado originalmente para carregar 3 granadas (uma por bolso) de fragmentação ou fumaça. No entanto, por sua flexibilidade de tecido, os soldados conseguiam colocar até duas granadas menores/fragmentação por bolso em certas configurações, totalizando até 6 granadas.
Design e Fixação: Era feito de lona pesada de algodão na cor Olive Drab #7 (OD-7), um tom verde-oliva escuro adotado no final da guerra. Possuía um gancho duplo de latão (padrão M1910) na parte traseira para fixação no cinto de cartuchos M1923 ou no cinto de pistola M1936.
Estabilização: Contava com duas fitas ou cordões de amarração de algodão na parte inferior. Essas fitas eram amarradas ao redor da coxa do soldado, o que impedia que a bolsa pesada ficasse balançando ou batendo contra a perna enquanto ele corria.
Fechos: As abas dos bolsos eram fechadas por botões de pressão duráveis do tipo Lift-the-Dot.
Uso na Segunda Guerra Mundial e Conflitos Posteriores
Segunda Guerra Mundial: Devido ao seu desenvolvimento e padronização tardios (final de 1944 e início de 1945), o item teve uso muito limitado no teatro europeu e no Pacífico antes do fim do conflito em agosto de 1945. A maior parte do estoque produzido ficou armazenada ou chegou às linhas de frente em pequenas quantidades. Por essa razão, fotos de época de soldados na 2ª Guerra utilizando essa bolsa específica são raras.
Uso Adaptado: Algumas unidades médicas de campanha na linha de frente chegaram a readaptar o bolso de 3 divisões para carregar suprimentos de primeiros socorros de combate.
A relação dessa peça com o Brasil e com a Força Expedicionária Brasileira (FEB) possui nuances históricas importantes sobre o desenvolvimento e a logística de suprimentos no período:
1. Contexto Logístico da FEB no Brasil vs. Teatro de Operações
O Treinamento no Brasil: Quando o Brasil mobilizou a FEB em 1943, as tropas inicialmente treinaram em solo nacional utilizando uniformes regulamentares brasileiros (como o modelo de brim cáqui de 1942) e armamentos obsoletos ou de fabricação nacional. O envio de equipamentos norte-americanos modernos pelo programa Lend-Lease (Empréstimo e Arrendamento) atrasou significativamente.
Adaptações de Produção Nacional: Diante da escassez inicial de itens originais dos EUA para os treinamentos no Brasil, as fábricas e intendências militares brasileiras começaram a desenvolver e costurar cópias e adaptações locais baseadas nos manuais técnicos e modelos norte-americanos. Isso incluiu itens de lona como cinturões de cartuchos, mochilas e porta-acessórios.
2. O Equipamento e o Uso no Front
Substituição na Itália: Ao desembarcarem no Teatro de Operações da Itália em 1944, os "Pracinhas" da FEB operavam integrados ao 5º Exército dos EUA. Por razões de padronização tática e para enfrentar o rigoroso inverno europeu, a maior parte do vestuário e do equipamento de lona pesado de produção brasileira foi substituída por itens fornecidos diretamente pelos depósitos norte-americanos no front (US Army OD - Olive Drab).
Uso da Peça pelos Pracinhas: Na Itália, o porta-granadas de 3 bolsos original dos EUA passou a fazer parte do kit de muitos soldados de infantaria brasileiros. Ele era projetado para ser amarrado à perna ou pendurado no cinturão de assalto, oferecendo acesso rápido às granadas de mão durante as intensas batalhas de progressão em terreno montanhoso e urbano, como as de Monte Castelo e Montese.
3. Legado no Colecionismo de Militaria
Hoje, no meio do colecionismo de militaria e da preservação histórica no Brasil, os porta-granadas de 3 bolsos são itens altamente cobiçados. Aqueles que possuem marcações de fabricantes brasileiros da época da guerra (indústrias têxteis que forneciam para o Exército Brasileiro entre 1943 e 1945) são considerados raridades históricas extremas, pois documentam o esforço industrial e logístico do Brasil para equipar sua força expedicionária antes do envio além-mar.
Uso na Guerra da Coreia e Vietnã: O ápice do uso desse equipamento ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Ele foi distribuído em massa e largamente utilizado durante a Guerra da Coreia e, posteriormente, pelos fuzileiros navais (USMC) e exército na Guerra do Vietnã, onde o porta-munições padrão M1961 não possuía espaço adequado para granadas. Novas remessas de produção foram feitas nos anos 1950 e 1960 mantendo exatamente o mesmo design básico de 1945.
Projetistas e Fabricantes (Makers)
O projeto inicial foi coordenado pelo Jeffersonville Quartermaster Depot (JQD), o órgão do governo americano responsável pelo desenvolvimento e controle de qualidade de fardamentos e equipamentos de lona do Exército.
Como era de praxe no esforço de guerra americano, a produção em massa foi terceirizada para diversas empresas têxteis e de manufatura privadas. As peças originais da era da Segunda Guerra Mundial trazem carimbos pretos de tinta na parte traseira ou sob a aba com o nome do fabricante e o ano (1944 ou 1945). Os fabricantes mais comuns desse item na época foram:
Brauer Bros. Mfg. Co. (Famosa fabricante de coldres e artigos de couro/lona)
Breslee Mfg. Co.
Kaypee Manufacturing Co.
Kadin
Nota de colecionismo: Hoje em dia, os exemplares datados de 1944 ou 1945 em estado de conservação "Mint" (perfeito/sem uso) são muito visados por colecionadores de militaria e recriadores históricos (reenactors) exatamente por marcarem a transição final dos equipamentos de lona da Segunda Guerra Mundial.
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